Distúrbios do Sono


Sonolência Excessiva

A Hipersonia ou Sonolência Excessiva, é um distúrbio onde a pessoa possui dificuldade para se manter acordada durante o dia. A quantidade ideal de sono para um indivíduo é aquela que lhe permite alcançar um nível ideal de vigilância e de bem estar físico e mental no dia seguinte. A necessidade de sono é imperativa e não pode ser eliminada, mas o sono também é um comportamento passível de modificação em função das circunstâncias exteriores. Assim como se pode tomar a decisão de comer mais ou menos, pode-se definir um tempo de sono mais longo ou mais curto. O tempo de sono varia, portanto, de uma noite para a outra e não é um valor fixo. A média de sono nos adultos é de 8 horas. No entanto alguns adultos se contentam com 6 h ou menos e isso sem prejuízos para o dia seguinte. As pessoas que costumam dormir pouco representam 2,5% da população total. Por outro lado, as pessoas que costumam dormir muito (igualmente cerca de 2,5%) só se sentem bem durante o dia após dormirem 10 horas, ou às vezes mais.

A Sonolência Excessiva leva a prejuízos no desempenho escolar, profissional, afetivo e social. Causa déficits cognitivos e aumenta muito o risco para acidentes.
Apesar de Privação de sono e a síndrome da Apnéia Obstrutiva do sono serem a causa em cerca de 70% dos casos na prática clínica, a sonolência excessiva têm várias outras possíveis causas. As principais são:

1. Privação crônica de sono voluntária e involuntária
2. Síndrome da apnéia/ hipopnéia obstrutiva do sono
3. Síndrome das pernas inquietas/ movimentos periódicos dos membros
4. Medicamentos
5. Narcolepsia
6. Distúrbios do ritmo circadiano
7. Hipersonia idiopática.

 1. Privação crônica de sono (PCS)
Decorre do fato do indivíduo voluntária ou involuntariamente dormir menos horas do que necessita para se sentir restaurado no dia seguinte. Nossa sociedade é, cada vez mais, uma sociedade de 24 horas, o que exige um grande número de profissionais trabalhando dia e noite, ininterruptamente.

A luz elétrica trouxe para o nosso cotidiano o uso da televisão, trabalho noturno, estudos e compromissos sociais e como conseqüência menos horas de sono e sonolência no dia seguinte. Vivemos em uma sociedade na qual o sono tem pouco valor. Muitas vezes ele é encarado como uma perda de tempo, ou é objeto de um julgamento negativo. A PCS involuntária pode ocorrer por causas não médicas: ruídos, luz, colchão inadequado, temperatura inadequada, parceiros roncadores ou que se movimentam muito, filhos pequenos, posicionamento inadequado, má higiene do sono e por causas médicas provocando insônia, ou fragmentação do sono: depressão, ansiedade, doenças dolorosas, doenças cardíacas, pernas inquietas, transtornos respiratórios do sono, efeitos colaterais de medicamentos, Parkinson, Mania, Alzheimer, etc.

2. Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (ver item específico no site)
É definida como episódios recorrentes de obstrução, parcial (hipopnéias) ou total (apnéias), da passagem do ar pela garganta durante o sono, resultando em queda da oxigenação e má qualidade do sono. Afeta grande parcela dos indivíduos que roncam, sendo este um sinal de alarme para a existência desta doença. O diagnóstico da síndrome da Apnéia do Sono é  confirmado e classificado quanto à intensidade e gravidade pela polissonografia. Sinais e sintomas: sonolência diurna excessiva, roncos, engasgos e/ ou asfixia ou respiração difícil durante o sono, acordares noturnos recorrentes, sensação de sono não restaurador, fadiga diurna, dificuldade de concentração/ memória, cefaléias matinais, arritmias cardíacas e refluxo gastroesofágico.

3. Síndrome das pernas inquietas e Movimentos periódicos dos membros
A síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é referida como uma sensação desagradável nas pernas, acompanhada de uma vontade irresistível de movimentá-las, que piora com o repouso e melhora com a movimentação. É sentida mais freqüentemente na hora que o indivíduo se deita para dormir, provocando enorme dificuldade para o início do sono. O paciente pode voltar a sentir os sintomas quando acorda de madrugada para urinar, ou por outros motivos. Tem a prevalência de 5 a 15% da população geral. O diagnóstico é essencialmente clínico.

Os Movimentos Periódicos de Membros (MPM) atinge a 5% das pessoas acima dos 30 anos e chega a 45% dos indivíduos acima dos 60 anos de idade. A grande maioria (80%) dos pacientes com SPI apresenta MPM, não sendo o contrário verdadeiro.

Os MPM provocam sonolência diurna por fragmentarem o sono e são diagnosticados por relato do parceiro e pela polissonografia. São movimentos estereotipados dos membros com extensão do hálux (polegar do pé), flexão da perna sobre a coxa e dessa sobre o quadril. Movimentos dos membros superiores podem acompanhar esses movimentos dos membros inferiores nos casos mais graves.

Os dois transtornos podem estar associados a condições como gestação, doenças renais ou neurológicas, anemia por carência de ferro, uso de medicamentos como antidepressivos tricíclicos, neurolépticos, lítio ou retirada de benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam, etc).

4. Medicamentos
A sonolência excessiva pode ser devida ao uso de drogas (maconha, álcool, etc) e inúmeras medicações como tranqüilizantes, hipnóticos, antialérgicos, anticonvulsivantes, antidepressivos, neurolépticos, etc.

5. Narcolepsia (ver item específico no site)
É uma síndrome que se caracteriza por:
a) ataques irresistíveis de sono durante o dia
b) cataplexia (perda do tônus muscular frente a emoções fortes boas ou más, localizado ou generalizado, geralmente bilateral).
c) paralisias do sono (o paciente ao acordar, não consegue se mover)
d) alucinações no início do sono ou no fim do sono.

Fatores genéticos estão envolvidos com o aparecimento da narcolepsia. A transmissão genética da narcolepsia em humanos não obedece às regras mendelianas, trata-se de uma herança complexa, multifatorial na qual fatores ambientais têm papel importante. Embora a maioria dos casos seja esporádica e não familiar, o risco de um parente de 1° grau de um paciente narcoléptico ter o mesmo distúrbio é 40 vezes maior que na população em geral. Tem a prevalência de 0.02-0.18% na população em geral considerando E.U.A, Europa e Japão, com início geralmente entre os 18 e os 25 anos de idade. Evidências indicam estar associada a uma deficiência de orexina (hipocretina). Na polissonografia é observada uma diminuição da latência para o início do sono e para o sono REM, aumento da quantidade de sono REM e microacordares frequentes. No teste das múltiplas latências do sono, o início do sono ocorre geralmente nos primeiros cinco minutos e o sono REM apresenta-se em pelo menos dois dos cincos registros.

6. Distúrbios do Ritmo Circadiano (ver item específico no site)
Circadiano provém do latim “cerca de um dia” (circa diem). Para facilitar a compreensão destes distúrbios imagine que o ritmo circadiano do nosso sono é o nosso “relógio biológico”. Então podemos dizer, mais simplificadamente, que os distúrbios do ritmo circadiano do sono são alterações dos horários “normais” do sono de nosso relógio biológico que provocam sintomas de insônia, fadiga, cansaço, entre outros.
Existem vários distúrbios do ritmo ciarcadiano. Os principais são:
Síndrome Jet-Lag
Síndrome do Avanço da Fase de Sono
Síndrome do Atraso da Fase de Sono
Distúrbio dos Trabalhadores em Turnos

7. Hipersonia primária (HP)
A característica essencial da HP é a sonolência excessiva por um período mínimo de 1 mês, evidenciada por episódios prolongados de sono ou por episódios de sono diurno ocorrendo quase que diariamente. Em indivíduos com HP, a duração do principal episódio de sono (para a maioria dos indivíduos, sono noturno) pode variar de 8 a 12 horas, sendo freqüentemente seguido por dificuldade de despertar pela manhã, sendo a qualidade do sono noturno normal.

TRATAMENTO DA SONOLÊNCIA EXCESSIVA
O Tratamento da Sonolência Excessiva deve ser focado nas causa do problema. Deve-se procurar a ajuda de um médico especialista em distúrbios do sono (medicina do sono) para realizar-se o correto diagnóstico e o subsequente tratamento ideal para cada caso.



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